Clínico
Em todo o mundo já foram tentados inúmeros tratamentos clínicos
para a hiperidrose, mas todos eles são paliativos e de efeito
temporário ou mesmo nulo. Apenas o procedimento cirúrgico é
considerado definitivo. As opções não-cirúrgicas para o tratamento
da hiperidrose são limitadas e incluem: tratamentos dermatológicos
pela aplicação de soluções ou cremes adstringentes; a iontoforese
(banhos elétricos com água salgada na área afetada), que pode
reduzir o suor em áreas específicas, mas apenas por um período de 6
horas a uma semana; a injeção de toxina da bactéria "Botulinus"
(Botox) sob a pele pode funcionar por 4 a 6 meses, mas são
necessárias cerca de 50 aplicações (injeções) em cada mão e, além
disso, o produto é muito caro. Tratamento psicológico, uso de
sedativos ou de drogas que diminuem as secreções podem reduzir o
rubor facial e as fobias sociais, mas agem muito pouco na
hiperidrose. Esse fato, acrescido de efeitos colaterais ligados ao
uso continuado desses medicamentos, torna-os pouco úteis no
tratamento da hiperidrose.
Cirúrgico
Desde 1926 pratica-se a operação para correção de hiperidrose
(simpatectomia). Apenas recentemente, com novas técnicas de
vídeo-cirurgia, anestésicas e do instrumental cirúrgico, é que se
desenvolveu um procedimento efetivo, minimamente invasivo, com
precisão anatômica, cosmeticamente aceitável e associado a baixo
índice de complicações. O tratamento cirúrgico da hiperidrose
envolve a retirada ou a destruição de uma porção específica da
cadeia simpática.
Atualmente a operação é realizada com anestesia geral e intubação
seletiva dos pulmões. Dois instrumentos endoscópicos do diâmetro
aproximado de um lápis (0,5 cm) são introduzidos na cavidade
torácica. Um deles tem uma câmara de TV embutida, mostrando com
nitidez, iluminação e precisão as estruturas e, no outro, são
introduzidos os instrumentos cirúrgicos. O pulmão é deslocado para
baixo e a cadeia simpática que fica sobreposto às costelas, ao lado
da coluna é identificada. A cadeia é então ressecada ou
termocoagulada com um cautério elétrico. Ambos os lados são operados
na mesma sessão. O procedimento dura cerca de 20 minutos para cada
lado.
(Esquema da cadeia simpática dentro do tórax)
Efeitos colaterais e complicações
São pouco freqüentes (menos do que 1%). No final da década de
1980, a simpatectomia torácica endoscópica começou a ser empregada
com maior freqüência e no período de 1987 a 1997 já haviam sido
operados mais de 3500 pacientes em todo o mundo. Ao estudarmos as
publicações oriundas de diversos países (China, Israel, França,
Suécia, Estados Unidos e outros) também pudemos constatar que são
extremamente raros os casos em que foram descritas complicações
GRAVES OU QUE ACARRETASSEM RISCO DE VIDA dos pacientes. Nunca
tivemos necessidade de abrir o tórax para corrigir alguma
complicação. Pequenas hemorragias e vazamentos de ar dos pulmões
ocorreram em menos de 1% dos nossos pacientes. Estas
intercorrências, todavia, são facilmente resolvidas pela simples
manutenção do dreno pleural por alguns dias.
Resultados
Nenhum procedimento cirúrgico tem uma taxa de sucesso de 100%,
mas o acompanhamento prolongado de nossos pacientes indica que 95% a
99% deles experimentaram alívio do suor nas mãos; 85% a 95%
apresentaram alívio do suor axilar e facial; e 90% a 95% tiveram
alívio do rubor facial. A taquicardia do “pavor de palco", isto é, a
ocorrência de palpitações no peito e de “nervosismo” em situações
estressantes como se apresentar em público, por exemplo, também
foram consideravelmente reduzidas após a operação.
Temos investigado, pelo exame clínico e pelos questionários, os
resultados do procedimento no pós-operatório imediato, no primeiro
retorno para a retirada dos pontos, durante os primeiros 30 dias e
ainda após vários meses ou anos. Nessas ocasiões, valendo-nos de um
questionário de “Qualidade de Vida”, solicitamos aos pacientes que
avaliem seus sintomas antes e após a operação numa escala de 0 a 5.
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